Autora : Viviane Juraski
PMO da Gateware
Existem projetos de tecnologia que são desafiadores, e existem projetos que simplesmente não podem falhar. Recentemente, participei de um desses casos ao lado da Gateware, em uma iniciativa estratégica voltada ao desenvolvimento de um novo sistema de rastreabilidade de explosivos, essencial para a continuidade de uma operação crítica no país.
Na prática, o coração dessa missão envolvia garantir que uma operação que sustenta 70% da mineração brasileira continuasse existindo, sem interrupções, sem ruído e, durante muito tempo, sem visibilidade.
Projetos costumam ser descritos por escopo, prazo e entrega. No entanto, quando você entra em campo, percebe rapidamente que o que está no papel é só uma parte da história. Nesse caso, o desafio técnico era grande ao substituir uma solução consolidada há mais de 15 anos, altamente especializada e crítica para a operação, um sistema que, se parasse, interromperia toda a cadeia, não por ineficiência, mas por exigência legal.
Mas o que mais exigiu energia não estava na tecnologia e, sim, no contexto. Afinal, tratava-se de um projeto conduzido sob confidencialidade, com comunicação restrita, sem possibilidade de engajamento amplo e com a necessidade de manter uma operação funcionando em paralelo. E, como em todo ambiente complexo e de grande escala, era preciso manter em harmonia interesses, percepções e agendas diferentes convivendo no mesmo espaço.
Gestão de mudança em modo sigiloso
Falar de gestão de mudança normalmente remete a comunicação estruturada, treinamentos planejados e engajamento progressivo. Aqui, tivemos que redesenhar essa lógica.
Como preparar pessoas para algo que ainda está sendo construído? Como engajar sem poder comunicar abertamente? Como gerar adesão em um contexto onde nem todos podem saber o que está acontecendo? A resposta não está em metodologia pronta, porém em adaptação.
Foi necessário construir uma gestão de mudança quase invisível, baseada em leitura de cenário, construção de confiança e intervenções pontuais, muitas vezes individuais. Ou seja, menos campanha, mais conexão.
O desafio são as pessoas
Existe uma tendência de associar risco de projeto à tecnologia. No entanto, em cenários complexos, o sucesso depende principalmente da capacidade de gerir pessoas, alinhar expectativas e integrar diferentes perspectivas em torno de um objetivo comum.
Nada disso aparece em cronogramas, contudo, todos esses detalhes aparecem diretamente na execução. Um dos aprendizados mais fortes desse projeto foi justamente que não basta entender o objetivo do projeto, é preciso compreender a intenção de cada agente envolvido.
Uma frase que circulava entre o time traduz bem o que vivemos é “estamos trocando o pneu com o carro andando.” E, nesse caso, com um detalhe adicional, afinal, tudo precisava ser implementado com sucesso, sem que o público externo percebesse.
A operação não podia parar, porque o sistema antigo precisava continuar funcionando enquanto o novo era desenvolvido, validado e implantado. Isso exigiu uma coordenação extremamente cuidadosa entre áreas, pessoas e momentos, na qual cada decisão tinha impacto direto no negócio.
Ao longo do projeto, ficou claro que ferramentas, frameworks e metodologias ocupam um papel de importância, mas isoladamente não suficientes. O que realmente sustenta a entrega em cenários como esse é a capacidade de ler o ambiente, antecipar movimentos, adaptar a abordagem, construir relações de confiança e tomar decisões mesmo com informação incompleta. Execução, nesse contexto, deixa de ser operacional e passa a ser estratégica.
O resultado que ninguém vê, mas todo mundo depende
O projeto foi entregue no prazo, com a operação mantida e sem rupturas. A nova solução trouxe ganhos importantes, como maior visibilidade, capacidade analítica e redução de dependência externa.
Mas, para mim, o principal resultado está em outro ponto. É saber que existe hoje uma estrutura mais segura, mais preparada e mais autônoma sustentando uma operação crítica, mesmo que a maioria das pessoas nunca veja isso.
Esse projeto reforça algo que o sistema tecnológico é fundamental, mas o fator-chave para o sucesso é a capacidade de fazer a tecnologia acontecer dentro de um contexto real, com todas as suas complexidades, limitações e, principalmente, pessoas. E além de conhecimento técnico, isso exige, presença, leitura e, muitas vezes, decisões difíceis. No fim, alguns projetos não permitem o mínimo erro e e são justamente esses que mostram o verdadeiro valor da execução.
Sobre a Gateware – A Gateware é uma empresa focada em gestão estratégica, tecnologia, inovação, parceira SAP Partner Open Ecosystem e SAMSUNG SDS, participante do Pacto Global da ONU no Brasil, certificada GPTW (Great Place To Work) pela 5ª vez consecutiva e certificada GPMH (Great People Mental Health). Com matriz localizada em Curitiba, no Paraná, também possui unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Argentina e EUA. Atua nas frentes de PMO Gestão de Projetos, GMO Gestão de Mudanças, Cutover Estratégico, Governança Corporativa, Body Shop e Alocação de Profissionais, Células e Squads de Desenvolvimento.
Matéria elaborada pela Smartcom e publicada nos portais:



